Um dos erros mais comuns hoje em dia é a crença na chamada "reencarnação", um mecanismo pelo qual uma pessoa teria várias "vidas" sucessivas, sendo uma pessoa ou outra em uma vida ou outra, vidas essas passadas por toda parte. Esta crendice é evidentemente incompatível com a Fé Cristã, com a Razão e com o próprio bom senso.
Ela é incompatível com a Fé Cristã
porque sabemos que "Para os homens está estabelecido morrerem uma
só vez e logo em seguida virá o juízo." (Heb 9,27),
e a reencarnação pressupõe que cada homem teria várias
mortes sucessivas, nascendo depois com outro nome, filho de outros pais,
em outro país... segundo as crenças de alguns grupos reencarnacionistas,
a pessoa poderia nascer com o sexo oposto ou não, ou até,
segundo alguns (como os de tendência hinduísta, oriental),
poderia nascer como animal ou como planta!
Ela é incompatível com a Fé Cristã
porque nega o valor dos Sacramentos (uma pessoa seria batizada novamente
em cada "encarnação"), nega Céu, Purgatório
e Inferno, nega a criação da alma humana, nega a união
substancial entre corpo e alma, nega a existência de anjos e demônios,
nega os privilégios da Santíssima Virgem Maria, nega o pecado
original, nega a graça divina, nega toda a doutrina do sobrenatural,
nega o juízo particular depois da morte, a ressurreição
da carne e o juízo final.
Ela é incompatível com a Fé Cristã
porque nega a Misericórdia divina e o perdão dos pecados
(segundo Allan Kardec, "Toda falta cometida, todo mal realizado é
uma dívida contraída que deverá ser paga; se não
for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes."
- o pecado, para um reencarnacionista, nunca é perdoado!) e prega
um deus que se existe não age, e se age não perdoa. Tudo
seria um mecanismo em que estariam presas as pessoas, pagando em uma "encarnação"
os pecados cometidos em "encarnações" anteriores, dos quais
não têm lembrança ou conhecimento, sem esperança
alguma de perdão.
A crença na reencarnação é
também incompatível com a Razão, com o raciocínio
lógico mais elementar. Afinal, para que seja possível aprender
com um erro, é necessário que lembremos do erro cometido.
Isto ocorre não apenas com os seres humanos, mas também com
os animais. Um cachorro aprende a não satisfazer suas necessidades
fisiológicas no lugar errado sendo castigado quando o fez, ou sentindo
o cheiro do que fez para que se lembre de seu ato. Alguém que tentasse
ensinar um cachorro a controlar sua bexiga esperando a hora em que o animal
não mais se lembrasse do ato proibido para, de sopetão, castigá-lo,
conseguirá na melhor das hipóteses traumatizar o pobre animal,
nunca ensiná-lo a segurar a bexiga. Afinal, o pobre animalzinho
não saberá porque terá sido castigado!
A crença na reencarnação pressupõe
um deus punitivo e sem misericórdia, ou melhor, um mecanismo que
funciona por conta própria em que as pessoas são punidas
em uma vida por pecados de que não se lembram, por erros que não
sabem que cometeram, com o único objetivo de expiar uma falta que
desconhecem totalmente ter cometido. Assim, evidentemente, não pode
haver aprendizado. Como poderia uma pessoa que sofre com conseqüências
de um suposto pecado em uma teórica vida passada aprender a não
mais cometer aquele pecado, se ela nunca soube tê-lo cometido?! Como
poderia ela saber que errou, que está sendo punida por aquele erro
e que não mais deve cometê-lo, se ela não tem lembrança
alguma desta suposta vida anterior e só vê as misérias
que sofre e que lhe parecem absolutamente desprovidas de valor, já
que não tem como ligá-las com aquilo que teria sido a causa
destes sofrimentos e que teoricamente os faria justos?
A crença na reencarnação é
também incompatível com a Razão pelo simples fato
de que não ajuda em nada uma pessoa por pecados que ela não
sabe ter cometido, como não faz sentido dizer ser a mesma pessoa
(ou dar a ela uma punição!) quando ela nasceu de outros pais,
com outro nome, em outro lugar, sem lembrança alguma de sua suposta
vida anterior, de sua personalidade nesta "vida passada", de seus erros,
acertos, ignorâncias e saberes.
Uma pessoa que não fala a mesma língua,
não tem a mesma cultura, nasceu de outros pais, em outro país,
não se lembra da "encarnação " anterior, não
tem conhecimento algum de nada do que agora o afetaria, não é
nem pode ser considerada a mesma pessoa que uma sua suposta "encarnação"
anterior. Qual seria o ponto em comum entre essas pessoas? Apenas uma espécie
de "carnê" de pecados a pagar, que seria passado de uma pessoa/"encarnação"
para outra pessoa/"encarnação", sem que seja possível
lembrar-se da origem daqueles sofrimentos, sem que seja levado nada de
uma "encarnação" a outra a não ser os pecados a pagar.
Assim, podemos dizer que a crença na reencarnação
pressupõe na verdade que os pecados cometidos por uma pessoa (João
da Silva, nascido em Botucatu dia 25.I.65 e falecido em Belo Horizonte
em 30.VIII.97, teria por pura maldade quebrado a perna de uma criança)
são pagos por outra (José de Souza, nascido em 27.IX.97 em
Belém do Pará, nascido com a perna aleijada). Ora, isso não
apenas é injusto como é absurdo! Não é a mesma
pessoa, já que não há nada (paternidade, nome, personalidade,
naturalidade, cultura, conhecimentos...) em comum, e José de Souza
não teria como saber que sofre pelos pecados de João da Silva,
que teria morrido e deixado assim de ser punido pelos seus pecados, passados
a José para que a pobre criança os pagasse!
A crença na reencarnação, além
disso, é incompatível com a Razão (ao menos
quando os reencarnacionistas afirmam que todas as "encarnações"
ocorrem em seres humanos e na Terra) porque a população de
hoje no planeta é equivalente à soma de todas as pessoas
que cá já viveram até o século passado. Assim,
cada pessoa poderia no máximo estar na primeira ou segunda "encarnação".
A crença na reencarnação é
também incompatível com o bom senso mais elementar e é
facilmente perceptível como apenas um reflexo do eterno orgulho
humano quando percebemos que praticamente todas as pessoas que acreditam
em reencarnação fazem questão de citar imediatamente
supostas "encarnações" anteriores como reis, rainhas, pessoas
famosas... conheço umas cinco ou seis Cleópatras!
Hoje em dia, com a queda dos padrões morais da
sociedade, está também na moda ter sido uma prostituta elegante
de alguma corte em supostas vidas anteriores. Isto reflete apenas as ânsias
das pessoas, a sua incapacidade de enfrentar a realidade, mas evidentemente
não corresponde à realidade.
Em 1953 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
reafirmou o que afirmara em 1915 e em 1948:
"Os espíritas devem ser tratados, tanto no foro
interno como no foro externo, como verdadeiros hereges e fautores de heresias,
e não podem ser admitidos à recepção dos sacramentos,
sem que antes reparem os escândalos dados, abjurem o espiritismo
e façam a profissão de fé."
Segundo a Lei da Igreja, "chama-se heresia a negação
pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer
verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida
pertinaz a respeito dela" (CDC cân. 751). Ora, "o herege incorre
automaticamente em excomunhão" (CDC cân. 1364 §1), ou
seja, deve ser excluído da recepção dos sacramentos
(cân. 1331 §1), não pode ser padrinho de batismo (cân.
874), nem de crisma (cân. 892) e não pode casar na Igreja
sem licença especial do bispo (cân. 1071) nem ser membro de
associação ou irmandade católica (cân. 316).
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